A questão Geert Wilders.
Não partilhamos dos princípios político-ideológicos do deputado holandês.
Não nos revemos na sua visão do mundo islâmico.
Consideramos de mau gosto e ofensiva a divulgação do video Fitna.
Percebemos, no entanto, por serem também nossas, muitas das interrogações colocadas que, crescentemente, fazem parte da opinião pública europeia, quase sempre sem poder e capacidade de intervenção e de expressar os seus sentimentos quando os mesmos afrontam o Poder instituído. Exemplos, a discussão sobre a Imigração ou o combate a um certo Islão que se tem acoitado na Europa. Podiam ser muitas outras. Cada vez mais o discurso político não é centrado nos interesses do Povo e estes exemplos servem de prova do que acontece, de facto. Defendemos o Direito absoluto de divulgação, por parte de Geert Wilders, inserido num contexto mais vasto de defesa intransigente do Direito de Liberdade de Expressão e de Opinião, do video referido. Mais, numa net que censura conteúdos políticos mas não parece preocupada com a difamação, os direitos de autor ou os sites pornográficos entre tantos casos preocupantes. Ao acaso. Numa sociedade que se reclama de tolerante, permissiva, onde os direitos privados de cada um não são sequer questionáveis, é tempo de denunciar e combater esta pós ideologia da sociedade tolerante pós moderna, multiculturalista, que em nome dos seus valores imprime uma dinâmica persecutória e censora, intolerante, não só sobre os que com ela divergem mas essencialmente contra os que se atrevem a questionar ou discutir um punhado de assuntos e temas que se tornaram interditos. Tabus. Verdades absolutas. É hoje impossível, ou quase, exprimir publicamente, certas ou erradas, determinadas convicções. Podemos desfilar nas ruas com a foice e o martelo do Comunismo do Goulag ou de Pol Pot mas não podemos editar o Mein Kampf de Adolfo Hitler. Podemos abortar e assassinar crianças no ventre materno mas o Estado pode proibir o direito a fumar. Não tenhamos a postura correcta a propósito dos homosexuais, da mulher, do que poderá ser xenófobo, desrespeitemos uma qualquer dita minoria, interroguemos a história do holocausto, por exemplo, e a cadeia com muita probabilidade será o destino final das nossas derrapagens ao discurso oficial políticamente correcto. Mais grave, os defensores deste novo mundo sem barreiras, onde a Identidade de cada Nação se deve vergar ao multiculturalismo onde, na Europa, dizem e insistem, devem coexistir pacificamente modos hibridos de vida cultural e social distintos, mesmo com os não pacíficos como os terroristas do Islão, não percebem, repetimos, esses defensores, que em nome da tolerância e da liberdade estão não só a pactuar com os que desprezam essa mesma tolerância como já instalaram mecanismos internos de repressão para os que, como nós, enfrentam este círculo vicioso pautado pelo respeito aos desrespeito do Outro. Os que combatem a pena de morte ou o eurocentrismo são os que nos perseguem mas que com a sua postura se calam face à mutilação genital feminina, por exemplo, procuram compreender uma Sharia suave e adaptável, e no fundo têm a postura do Grande Capital que, como no Tibete, face à China, esquecem a defesa dos direitos humanos ou de expressão com a despolitização da economia. Não por acaso, os servidores da net foram tão solíicitos a entregarem nomes de dissidentes e blogues chineses oposicionistas como, agora, a fecharem o site do deputado holandês. Existe uma contradição insolúvel no interior do discurso liberal do multiculturalismo. E um toque totalitário nas formas de que se reveste nas nossas sociedades. Esta sociedade condicionada e amestrada. É por tudo isso, que aqui apresentamos de forma muito breve e sucinta, que deixamos bem clara a nossa Solidariedade para com Fitna de Geert Wilders. O video está na youtube. Não queremos nem aceitamos a Democracia tutelada, repressiva e asseptizada com que a esquerda bem pensante e a direita reaccionária defendem a aparente tranquilidade e a homogeneidade do Sistema, vendendo o indíviduo primeiro, valores e princípios por acréscimo, e a nossa Europa de Nações, logo depois.
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