Uma breve reflexão.
Maio de 68 marca o início penoso de um longo estertor europeu, de um percurso punitivo de auto-humilhação, de que Sartre se tornou figura emblemática. Sartre, o amigo de Fanon. Fanon, que num livro recente e abordado por António Barreto no Público de domingo, ” Holocausto em Angola ” de Américo Cardoso Botelho, ( Vega ), é citado por Rosa Coutinho, à altura ainda governador português em Angola, para numa carta a Agostinho Neto recomendar, face a instruções secretas do PCP, ” a aterrorizar, pilhar, matar os brancos. Para instalar o terror e serem crueis em especial com mulheres, velhos e crianças “. Sem consequências até hoje, parece. O criminoso continua impune. Das ruas de Paris cresceu furiosa uma demência que não mais escondeu a degradação moral que feriu uma Europa em derrocada, imersa em confusos sentimentos de culpabilidade face a todos os que sempre a desprezaram. Europa falha de coragem e princípios, aviltada na sua essência mais íntima, uma Europa que tomou sobre si a profecia de Dostoiewski: todos somos culpados. Figura de retórica, baboseira tão desonesta como considerada revolucionária, a culpabilidade europeia elegeu o Pária como o homem do futuro. A aberração faz-nos correr pelo gay, pelo colonizado, pelo preto. Por tudo e por todos os que nos seus bastiões gangrenados são os inimigos da nossa sociedade. Da nossa Liberdade, onde a Ética cede a uma revolta infantilizada e irresponsável. Importante é destruir os fundamentos clássicos de uma moral espiritual pela ordem da relatividade absoluta que renega a inteligência em nome da decadência. Num fascínio mórbido pela demissão e pela omissão, o inimigo é o irmão eleito a cujas mãos devemos morrer. Sem tradições, costumes, valores, princípios, usos, leis, o Maio de Paris decretou o fim do homem branco e o advento do bom selvagem cool. O chinês, o viet, o preto, ontem, o árabe kamikaze, demente e fundamentalista da cavalgada islâmica, hoje. Em nome do sacrossanto nome do Capital, tragam-nos flores e cânticos de amor. Com o Corão, esquecem-no os pacifistas de hoje, virá a barbárie e o horror, o terror e o sangue. O fim do seu insuportável direito à diferença. Valha-nos isso.
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