Pensar a Revolução, hoje.

Revoluçao

Sejamos claros: a Revolução não é para amanhã. Aliás, se calhar, a Revolução já nem existirá, agora que o presente devorou o passado e o futuro. O que há e faz sentido é o ir fazendo a Revolução. Ir fazendo pequenas Revoluções, passo a passo, a partir das rupturas do dia a dia. Das pequenas revoltas face às pequenas coisas que nos perturbam os dias. Que nos confrontam e incomodam. Que nos questionam. De costas voltadas preferencialmente para o Sistema Político instituído. Nas lutas autónomas do cidadão preocupado com o emprego, o seu bem estar, a família, o carro, os filhos. Do cidadão alienado e instrumentalizado mas que, a lapsos, ainda sabe como o Poder lhe mente, o cidadão que despreza a não menos desprezível classe política. O cidadão que, por entre as compras com que pacifica frustrações, sabe que, no limite, todos lhe mentem. O cidadão que desespera e desistiu, que encolhe os ombros, que sabe ao arcaísmo dos partidos ser necessário acrescentar o arcaísmo dos sindicatos, uns e outros apenas instrumentos do Capital para a gestão ordenada e pacífica do Sistema. A História nunca mente e tudo isto faz lembrar outras épocas, outras iguais circunstâncias. Como Gramsci e L’ Ordine Nuovo, por exemplo. Partidos e sindicatos alimentam-se de um egoísmo míope que se limita a lutar por benefícios na distribuição da riqueza. Hoje, mais do que Combater modos de produção, mesmo sendo essencial essa frente, é urgente e prioritário propor novos modos de vida e de organização de Luta. Uma visão de Sociedade nova. De intervenção política autónoma, de base extra parlamentar, que se manifeste de baixo para cima. Uma intervenção que tente ser mais do que a habitual alternância nas formas de opressão e exploração do Trabalho mas, também, do Homem.

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