Breves notas do Coordenador da A.N.(A.) no fim da reunião preparatória de 19 de Abril.

revolução

Camaradas:

Como sabeis, não gosto de acordos alargados. De cedências ou falsos entendimentos. Viemos aqui para preparar a Conferência de Refundação e, na diversidade de opiniões e pulsares ideológicos, chegamos a conclusões. Trabalho feito, passemos adiante amanhã e sigamos caminho. É difícil montar e lançar um Movimento com as características como o nosso, onde falta quase tudo e a experiência da maioria é nula, sem um mínimo de solidez ideológica, em especial quando os desafios do dia a dia nos colocam questões sempre novas. Penso que chegamos, por fim, a algum lado. Numa reunião onde se encontram Comités que, se partilham Herder ou Sorel, por exemplo, seguem caminhos tão distintos como Otto Strasser, uns, os Spartakistas alemães, outros, ou ainda Gerard Gunther e Vitor Serge, outros, não seria fácil. Parece que nos liga o essencial e se encontrou um rumo. Aprendamos com a História sem encenações carnavalescas de saudosismo serôdio. Estamos no século XXI. A Carta de Princípios foi trabalhada e, penso, é suficientemente flexível para servir de ponto de partida. Ganhou contornos finais e resta aprofundar aspectos teóricos e organizativos. Sabemos melhor quem somos e o que queremos ser. Nacionalistas, sim. Revolucionários, também. Mantemos a postura da fundação. Nem de esquerda nem de direita, indiferentes a ambos, não contra nada nem contra ninguem, pelos nossos ideais. Alheios a discussões infantis e inconsequentes, mais ou menos conflituosas e pessoalizadas, onde o proliferar recente de grupos e grupúsculos no campo da direita dita nacionalista é sinal de uma crise profunda e de uma implosão previsível. Por nós, assistimos curiosos reafirmando que nada temos ou queremos ter com ninguem. Respeitamos caminhos, seguimos o nosso. Ao certo, o nosso Combate faz-se em Portugal, neste momento, com a realidade que temos e onde nos inserimos, sem delírios ou sonhos de grandeza, fiéis apenas aos nossos Valores, à Nação, ao Povo e ao Trabalho. Contra o Capital, contra o parlamentarismo reaccionário burguês, contra o Sistema, contra esta República. Em acções onde, leve o tempo que levar, construamos algo de sólido e duradoiro. No anonimato das lutas colectivas que alastram num País em crise, na rua, na indignação do cidadão comum. Impermeáveis ao oportunismo de alguns, recusando colaborar com quem tem passado mas nunca teve presente e pouco apresenta para o futuro. Peço apenas o que sempre pedi. Humildade, discrição, organização e trabalho. Teórico e prático. Como o Camarada Condor sempre afirmou o passado da direita portuguesa fala por si e deve servir-nos de lição para não repetirmos erros e falhanços permanentes. Sejamos poucos mas tentemos ser bons, sem qualquer espécie de arrogância. Recusemos qualquer tipo de colaboração ou apoio com os velhos reaccionários do conservadorismo burguês dito nacionalista. Estejamos atentos a colagens e provocações dos que apenas querem protagonismo e ser líderes de coisa nenhuma. Dos que apenas querem moderar, adulterar, desnaturar, conduzir o Movimento ao compromisso. Aos que querem domesticar o nosso carácter fundador. Vivemos uma situação de crise profunda. A todos os níveis. Sociais, humanos, políticos. É com esta realidade que temos de viver. Incorporando-nos nela. Sem fantasiar. Continuamos a ser um Colectivo Revolucionário com objectivos claros e firmes. Devemos tentar estar sempre onde está o Povo.  Conscientes da recusa que opomos a este Regime. Ao colapso crescente da farsa democrática. Ao bloqueio de participação cívica que se vive. Vivemos tempo de crise do Poder e de Soberania, o qual é propício a censura e repressão. Mesmo quando o Estado é por natureza já e primeiramente isso. O Povo tem demonstrado o seu cansaço e a sua indignação. A falta de capacidade de intervenção e de representatividade do Regime onde, nas lutas recentes, os próprios sindicatos revelaram a sua total incapacidade de Luta e a sua subserviência ao Poder, actuando de forma inadequada em estruturas inadequadas, distanciadas da realidade, ao serviço dos interesses imediatos de grupos corporativos de interesses, de um punhado socialmente já beneficiado ou, no limite, das suas máquinas organizativas. A luta está na rua, a Luta faz-se na Rua. Este será o caminho. Um derradeiro apelo: incrementem o trabalho e a formação teórica. Não há Revolução, há revoluções e mesmo essas exigem preparação ideológica. Por outro lado o Nacionalismo tem de ser mais do que um tique de porteiros da noite, mais ou menos musculados. Sigamos tranquilos e pacientes, o nosso caminho. Como costumamos dizer, o caminho faz-se caminhando e aprendendo. Aqui só está quem quer e quem nós queremos. Aos que estão apenas peço: trabalho. E humildade. Ousem Lutar. E Resistir. E dizer, NÃO!

Nero.

TrackBack Identifier URI