Intervenção do Camarada Condor na abertura da Conferência de Refundação.

Camaradas:

Contra o Capital, aqui estamos. Por mim, crente na oposição trabalho-capital. Na luta de classes, sem vanguardas do proletariado mas consciente das novas realidades complexas que nos rodeiam e enfrentamos. Contra esta globalização, novo nome para o velho e gasto imperialismo de ontem. Crente numa prática por isso mesmo alternativa, autónoma, revolucionária e nacionalista que procure fugir às redundâncias e lugares comuns habituais. Onde ser contra o Sistema é recusar a farsa democrática da representatividade parlamentar burguesa. Pelos trabalhadores, pelos desempregados, pelos precários, pelos marginalizados das periferias de uma sociedade explorada, alienada, agredida e manipulada pelos aparelhos ideológico e repressivo de um Estado crescentemente intimidatório. Onde o inimigo, mais do que os partidos ou os media, é a finança sem rosto, o Poder por detrás do Poder, o FMI, o G8, o Banco Mundial, o novo totalitarismo liberal que é quem na verdade governa e decide. Estou aqui pela aposta nos novos desafios ecológicos ou no combate ao crescente terrorismo de Estado. Estamos aqui, todos, para pensar caminhos e traçar rumos, não o mas os caminhos, repito, com a clarividência só possível de quem não é nem quer ser candidato a qualquer migalha do repasto institucional ou pretende o voto de ninguém. As eleições, a paródia do sufrágio universal não resolve nem nunca resolveu problemas dos trabalhadores. A História, a História que nos interessa é a ” história da luta de classes, do sistema de classes e da luta entre elas “. Cito aqui, para enquadrar este tópico, a velha máxima de Raoul Vaneigem: ” Aqueles que falam de Revolução e de luta de classes sem se referirem explicitamente à vida quotidiana, esses têm na boca um cadáver “. Tenham isto bem presente. Estamos aqui contra o nomadismo errático, solitário, degradante, hedonista, consumista, da pós modernidade, esse deambular entre ruínas que exige de nós autenticidade. Logo, ser determinado, o que é bem diferente de ser obstinado e não saber ouvir e sentir tudo e todos no dia a dia. De não saber ler com sensibilidade as situações que se nos levantam. De não saber encontrar o momento da visão, de que falou Heidegger. Em parte o que nos trouxe afinal aqui. Repensar. Reflectir. É preciso manter lucidez e abertura evitando a superficialidade dos sistemas, das ideias, das análises. Devemos fomentar a Recusa, sim, mas numa perspectiva permanentemente interrogativa. Longe dos que teimam confundir Liberdade com uma permissividade desagregadora, camuflada de desespero cultural e apatia sócio-política, numa leitura amputada e abreviada de um Nietzsche a quem retiraram a exigência e a dimensão éticas.

São esses afinal os que confundem acessório e essencial. Que recusam a Nação e a Identidade por não perceberem serem estas a derradeira fronteira contra a ofensiva do totalitarismo de Bruxelas, dos interesses económicos, que falam de Pátria, palavra a que somos avessos, que confundem Racialidade com racismo ou xenofobia, que não percebem a urgência do combate à Imigração como forma avançada de luta ao capitalismo transnacional, principal inimigo da Nação, ( de que o conceito na palavra alemã Heimat mais se aproxima do que busco ), baluarte civilizacional de uma Europa devorada pelos aparelhos de Estado, apostado no controlo crescente de um individualismo sem cidadãos, sem sujeito, uniformizador, nivelador, oposto ao único, ao diferente, ao singular. São esses ainda que, apoiados na força esmagadora dos aparelhos ideológicos do Estado, onde a própria comunicação social privada é um braço dos interesses do Capital, procuram confundir bandeiras culturais com acção revolucionária, próprio aliás dessa social-democracia bloquista que defende objectivamente os interesses do Capital porque só o Capital tem a ganhar na eliminação de valores e princípios. Na destruição da Família. Nada nos move, por exemplo, contra os homosexuais nem somos, ao contrário de 70% dos portugueses, homofóbicos. Somos sim contra quem pugna pela institucionalização dos lobbies gays e pretende, aqui como no Aborto, destruir a alma espiritual da Nação. Corromper. Degenerar, impôr a diferença de uma minoria ao pulsar histórico da maioria social. Tão pouco nos preocupa a legalização da cannabis, sendo a droga um dos grandes negócios do Capital e Portugal um País de alcoólicos. ( Preocupa-nos, aí sim, o tráfico e o envenenamento programado das novas gerações ). Preocupa-nos, enfim, a confusão deliberada com que alguns pretendem passar a ideia de que a Luta Revolucionária é a luta das causas fracturantes e são, de facto, assim, aliados objectivos da investida globalizante de um capitalismo que não se detem perante nada nem ninguém.

Estamos aqui para trabalhar, para partilhar ideias, para elaborar novas estratégias e publicar um Manifesto de Trabalho e Acção. Vamos a isso. Sem sectarismos e sem dogmatismos, respeitando os muitos que de boa fé e de forma honesta lutam em tantas outras organizações. Sem insultos, sem fulanizações ou pessoalizações. De forma clara e limpa mas sem fazer concessões ou cedências. Recusando o oportunismo cínico de tantos e estando bem alerta a todos os tipos de chantagem, infiltração, sabotagem, provocação, divisionismo, tudo o que como de habitual usa a traição e o Capital para reprimir e desintegrar qualquer forma de resistência revolucionária. Aprendam com o passado. Olhem à vossa volta. Mais. Aqui, esqueçam a paranóia do inimigo interno, a arrogância, o autoritarismo, a sede de poder ou de protagonismo que têm dilacerado tantos outros. Mesmo sabendo que, quase sempre, o inimigo está sempre no meio de nós. Já o provamos e mal ainda nascemos. Por isso, também a insistência: sejam discretos, sejam humildes. Sejam cautelosos e sejam desconfiados. Aqui se irá debater e formular a organização dos Comités de Acção Revolucionária. Assentes no anonimato, interno e externo. Sabemos o que não queremos, sabemos vagamente ainda o que queremos. Mas temos de procurar no dia a dia e nos erros que cometermos os caminhos que iremos percorrer para tentar chegar aonde nos levam as convicções, o modelo de sociedade que buscamos. E aí, insisto, organização e paciência, o trabalho que parece insignificante, ocupam um papel central. Portugal é governado pelo Capital. A firmeza dos nossos princípios deve fazer desta permissa a prioridade da nossa Luta. Com coerência e dignidade, sabendo aceitar a diferença mas nunca pactuando com seja o que for que questione o carácter do Movimento. Sei quem aqui está. Revolucionários nacionalistas anticapitalistas. Vindos de áreas diversas, unidos em torno da ideia de Nação, da nossa Identidade. Iremos encontrar pontas de partida. Mesmo quando tudo nos é adverso. Mesmo quando a nossa Luta ultrapassa fronteiras e se enquadra numa dinâmica internacionalista mas que nunca se vergará por imperativos éticos a silêncios, omissões ou cumplicidades tácticas a populismos pretensamente revolucionários.  É minha convicção que para lá do reaccionarismo burguês, conservador e clerical da direita portuguesa, do liberalismo arrogante e arrivista, autocrático, dos interesses instalados do PSD e do PS, do reformismo folclórico social-democrata do Bloco ou do autismo estalista e imbecilizante do PCP, a implosão desta República já é um facto e abre caminhos novos a verdadeiras alternativas revolucionárias onde a causa fracturante seja a Luta do Trabalho contra o Capital! Importante é resistir e ousar Lutar!

Porto, 3 de Maio, 2008.

Abertura da Conferência de Refundação.

( Iremos publicar os documentos que saírem desta Reúnião ). 

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