Com profundos reflexos no cenário europeu a curto e médio prazo, decorrem este fim de semana os congressos partidários alemães dos Linke e NPD. Numa Alemanha onde Angela Merkel e a sua direita conservadora amestraram de forma primorosa o SPD, guetizando liberais e verdes, as franjas revolucionárias da sociedade alemã procuram encontrar soluções e caminhos alternativos. Vencedora, em toda a linha, a aposta dos Linke de Lafontaine e Gysi, suportados no eleitorado do antigo Leste e na coerência das suas posições. Em crescendo eleitoral, os Linke, souberam capitalizar o descontentamento dos mais desfavorecidos e das forças do Trabalho por contra ponto a uma extrema-direita que, sendo única na Europa pela sua base de implementação, de raiz proletária, se viu enredada em escândalos sucessivos, ( como o ocorrido na Thuríngia com Erwin Kemma ), cisões, luta pelo poder interno, saída de muitos dos seus melhores para as organizações autónomas. Voigt já nada representa num NPD onde a implosão, evidente, já não é só financeira. O labor discreto e a acção clara dos Linke, já a terceira força política alemã, poderão a curto prazo trazer novidades no panorama político daquele País mas são, acima de tudo, um exemplo a ser tomado em conta por quem recusa o actual estado das democracias europeias e procura vias alternativas.
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