Dia de Portugal.

Apenas umas breves palavras num dia onde, regra geral, se fala demais. Com pompa, circunstância e ridículo. Onde o Regime se celebra e se condecora a si próprio, orgulhoso do descalabro a que conduziu todo um Povo e uma Nação e, por outro lado, aturamos o saudosismo serôdio do patrioteirismo salazarento. Assim, assinale-se a data que, queira-se ou não, é para a maioria mais um feriado apenas. Aqui, juntos, lembramos hoje, como o escreveu Herberto Helder, o País dos ” campos abanados pelo silêncio “. Onde é preciso ” recriar o criar “. O País que foi, é e será apesar do repasto de marxistas e liberais. O Portugal onde, insistimos, a implosão desta República é um facto visível e o futuro incerto. Um País que, devagar, lá fora, nas ruas, vira as costas ao patranhismo parlamentar burguês e assume as suas revoltas e lutas. O País da fome, da pobreza, dos salários miseráveis, do desemprego. Mas que ainda assim é e será o nosso e onde insistimos em lutar por um futuro melhor. O País que traiu e aviltou em 74, que se vendeu a Bruxelas, está vivo. Resiste. Celebremos o ser português. E isso Camaradas, é estar em sintonia com a realidade. Com a miséria crescente. Discretos, humildes, disciplinados, disponíveis para combater os que comodamente construíram um Estado dentro do Estado numa sociedade que se tornou ética e moralmente intolerável. Como Revolucionários que, sabendo ser a Revolução algo alheio à vontade colectiva, hoje, e a não fazer, sejamos realistas, parte das preocupações e prioridades de um Povo alienado, cansado e anestesiado, devemos manter dentro das nossas limitadas possibilidades esse friccionar pernanente do quotidiano. É aí que reside o desafio. É preciso insistir que, acima de tudo, fundamental é travar o combate pela necessidade absoluta da Liberdade, pública e privada, e que essa é filha da Justiça que não temos. Resistir, teimosamente. Saber ouvir e estar com o Povo. Já o dizia Annah Arendt quão difícil é ser poeta neste século, ou em qualquer outro. Sejamos nós o Poeta que, como lembrou Camões, ” não perde as esperanças / de poder nalgum tempo ser contente “.

Viva Portugal!

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