O ponto da situação.

A presente situação política do País, marcada pelo congresso da normalização no PSD, onde a eleição de Ferreira Leite simboliza o reforço, de facto, dos sectores mais degenerados do Poder e do Capital em Portugal, não augura a breve prazo nada de bom para os trabalhadores e a sociedade em geral. Aí está o novo Código de Trabalho para o comprovar. Pouco importam as juras do costume onde a promessa de hoje é a mentira de amanhã. Mesmo quando esse é o catecismo usual do parlamentarismo burguês que pauta esta República à deriva. Todos o sabem, todos o sabemos. A mudança nunca virá de mais do mesmo. O Sistema já não oferece surpresas. Perante sinais claros de implosão social e o pulsar crescente da Rua, o Bloco Central dos interesses instalados está a caminho para salvar Sócrates, defender o Regime e criar condições objectivas e sólidas para a continuada ofensiva do Capital contra o Povo Português. Contra a Nação. Torna-se urgente estar atento e firme, acentuando as lutas de fricção e resistir o possível e dentro do possível aos tempos negros que se avizinham. Nada se espere das oposições instaladas. Elas são parte do Sistema. Antes as 7 balas do Algarve, Camaradas.

A social-democracia do Bloco vive de um intervencionismo folclórico e sem real significado para quem suja as mãos a trabalhar. Nem os jantares festas de alguém que respeitamos, como Miguel Portas, nada mais são do que convívios chic caviar para as pretensas élites burguesas do costume. E, já agora, para quem nos rotulava no início de copiar grupos de extrema direita, entretanto falecidos e enterrados, parece, fique claro que vamos estar sempre em lutas comuns com franjas do Bloco, se tal for necessário, sem abdicar de tudo o que defendemos e nos separa deles: a Imigração, o Nacionalismo, a opção Pró-Vida, o não aos casamentos homosexuais, por exemplo. A ideia de Estado.

Um alerta diferente tem de ser feito a propósito do PCP. Muitos de vós, militantes revolucionários, estivestes no Bolhão. Na luta dos camionistas, Alguns na dos pescadores. Conheceis bem a colagem oportunista e cínica que esses bonzos estalinistas procuram fazer a movimentos de cidadania autónoma, para os instrumentalizar, manipular e domesticar. Tudo isto foi bem evidente na luta dos professores ou, mais recentemente, no buzinão. É preciso estar atento. O PCP, assente na sua máquina sindical que, a partir de uma estrutura burocrata e corporativa apenas tenta capitalizar o genuíno descontentamento popular para manter regalias e privilégios na sua função pública, onde o conteúdo dito revolucionário se reduz às lutas salariais dos que têm trabalho e direitos excessivos num País de desempregados e precários sem direitos, luta pela sua fatia do bolo. O PCP é, também, o inimigo.

A todos deixamos o apelo ao cerrar de fileiras. Ao discernimento. A estarem disponíveis para, na Rua, onde o Povo estiver, combater de forma desinteressada, pelas boas causas, essas que nunca serão aos do Sistema. Saibam dizer presente! Sem ceder a compromissos e lembrando o que disse o Camarada Condor: neste momento concreto, objectivo, mais política e menos ideologia.

Saudações.

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